segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vestígios arqueológicos dos Lagares d’el Rei foram tapados

A maior parte dos genuínos “Lagares d’el Rei” na Levada em Tomar, revelados através das escavações arqueológicas, foram cobertos com areia e cimento durante as obras que estão a decorrer.
As pesquisas arqueológicas feitas anteriormente revelaram, segundo os investigadores, o maior conjunto industrial de produção de azeite dos séculos XVII e XVIII na Península Ibérica. Foram identificadas 13 prensas alinhadas em duas baterias restando ainda no local 12 alguergues (pedra grande e redonda com uma calha em toda a volta sobre a qual se espremem as seiras) com as respetivas talhas em barro (tarefas). Mas este património, que dá nome ao conjunto de edifícios à beira rio, estranhamente não ficou visível para os futuros visitantes, apesar de já ter havido várias alterações ao projeto inicial.
Em maio a Câmara de Tomar contratou como técnica superior a museóloga Graça Filipe que está a trabalhar na musealização do espaço, mas que já anteriormente era consultora neste projeto.
Segundo esta especialista “o Projecto do Museu da Levada de Tomar visa o processo de salvaguarda de um importante conjunto patrimonial – imóvel e integrado - que desde há muito tempo é objecto de reconhecimento e de apropriação, tanto pela população local, quanto pela comunidade científica.”
Numa intervenção realizada nas Jornadas de Arqueologia Industrial, Graça Filipe disse que “este Projecto da Câmara Municipal de Tomar passa pela reabilitação e valorização arquitectónica e pela programação de novos usos – de âmbitos científico, cultural e turístico – de patrimónios indissociáveis do rio Nabão e das estruturas hidráulicas do Açude dos Frades e da Levada de Tomar – patrimónios arqueológico, imóvel, integrado e móvel”.
Acrescenta a especialista que “a musealização do complexo patrimonial (identificado através de valores e interesses múltiplos, nomeadamente de carácter histórico, arquitectónico, técnico e industrial), visa conferir-lhe sustentabilidade e fazê-lo adquirir novos significados, embebendo o futuro Museu da Levada de Tomar e o centro histórico (de que faz parte) na dinâmica territorial e na vida dos habitantes da cidade.”
As imagens falam por si e mostram vários vestígios arqueológicos considerados de extrema importância, durante as escavações e agora tapados com cimento.
Antes
Depois


1 comentário:

  1. "A presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas (PS), esclareceu que esta medida "é provisória" e que os achados foram tapados com uma caixa de areia, não estando o cimento em contacto directo com os mesmos. A autarca frisou que a acção foi acompanhada pela Direcção Geral do Património Cultural e que, no futuro, os mesmos vão ficar visíveis ao público."

    http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=&id=74955&idSeccao=479&Action=noticia#.U88OB0CV-W4

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