terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Uma Câmara sem perspectiva


- água, investimento e emprego
António Lourenço dos Santos*

A habilitação das Câmaras Municipais para captarem os benefícios do novo ciclo de fundos estruturais tendo em vista a promoção do desenvolvimento social e económico é presentemente motivo de grande atenção. É uma tarefa que ganha em ser divulgada e partilhada, para ser enriquecida. E tem naturalmente que acontecer em tempo útil porque o aproveitamento de oportunidades não se compadece com atrasos ou omissões...e com estes, o futuro colectivo é posto em causa e muito podemos todos perder.
Ora, observando a aparente paralisia da nossa Câmara nessa habilitação (ou constatando o sigilo com que eventualmente poderá estar a tratar um assunto que é publico por natureza), tencionávamos lançar mais um alerta para uma situação que já é motivo de alarme.
Alerta para o adormecimento da Câmara, que vai penalizar o nosso Concelho porque pode impedir iniciativas válidas que possam existir. Alarme pela possível fuga de projectos e de investimentos para outras paragens. Alerta para as potencialidades que se podem assim desperdiçar. Alarme pelas carências que temos e pelo possível desperdício de oportunidades para as resolver, se o trabalho que devia estar a ser realizado não o for em tempo útil. Alerta para a necessidade de lançar em tempo útil uma discussão pública sobre as opções de fundo (incompreensivelmente desconhecidas até agora) que a Câmara entende serem as correctas para alicerçar o desenvolvimento do Concelho nos próximos 10 anos. Alarme por nada estar previsto nesse capítulo.      
Reafirmamos que é urgente conhecer e debater os argumentos, as referências e as acções com que a nossa Câmara entende poder atrair investimentos e investidores. Para que assim possa cumprir a sua responsabilidade na dinamização da economia do Concelho e na criação de empregos, e no fomento da produção de riqueza e na atracção de competências. Para que assim contribua para valorizar o que é nosso, e faça com que a governação municipal tenha ambição para ultrapassar as fronteiras de iniciativas apenas simpáticas ou populares.
Mas vem isto a propósito de ter entrado em vigor um novo tarifário dos SMAS, com novos custos da água e do saneamento. Este seria um caso aparentemente de importância menor e que não invalidaria o alerta que tencionávamos renovar acerca do tema central: os fundos estruturais e o investimento, a modernização do concelho e a criação de novas actividades, a atracção de empresas e a criação de novos empregos.

Preço da água com aumento de 25%

Todavia, os dois casos entroncam um no outro, e a preocupação cresce. É que, com o novo tarifário, o custo unitário dos bens e serviços fornecidos pelos Serviços Municipalizados às Empresas, aumenta em quase 25%...quando o preço da água em Tomar já figura entre os mais altos em Portugal...
Temos agora um indicador inequívoco da falta de sensibilidade, da desatenção, e da ausência de apetência da nossa Câmara Municipal para criar condições de atracção de Investimentos e de Empresas para o Concelho, e para assim encorajar e apoiar as tão necessárias criação de Empregos e atracção de População...
Com medidas como esta, que talvez resolva algum problema ao orçamento dos SMAS mas que hostiliza e afasta Empresas e Investimentos, talvez fique explicado a aparente apatia da Câmara em preparar devidamente o aproveitamento dos Fundos Europeus.
É motivo suficiente para temer… mas esperemos ainda e principalmente, que as ideias do Partido Socialista para o Concelho não tenham sido apenas um conjunto de promessas eleitorais ocas ou falsas, que esconderam demagogia e tentam encobrir impreparação executiva. Esperemos também que a conhecida incompatibilidade com a iniciativa privada que há da parte do parceiro comunista da coligação não tenha já contagiado o executivo municipal.  
Quero acreditar na credibilidade e na seriedade desta Câmara, que não elegi mas que ainda respeito. Todavia, o imobilismo existente, por um lado, e os sinais que vão surgindo, por outro lado, começam a ser preocupantes. O caso do novo preçário dos SMAS, é um sinal de hostilidade à iniciativa privada, e de aversão ou falta de sensibilidade para a atracção de Investimento e para a criação de Emprego. Nada de bom prenuncia.
*Empresário
Vogal da Comissão Política Concelhia do PSD

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