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| Quem dá 1 milhão e 145 mil euros por esta quinta? |
Situado na freguesia da Pedreira (estrada do Prado), concelho de Tomar, o edifício principal tem uma história que remonta ao século XVI. Foi doado à Ordem de Cristo em 1531, segundo os historiadores.
Dado o seu valor histórico e patrimonial, o imóvel foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1996.
Além do edificado (1500 m2 de área de construção), que inclui a casa da Quinta, pombal, nora, lagar, etç, vai a leilão o terreno envolvente com uma área de 232 hectares, incluindo a zona do chamado açude de pedra.
A imobiliária Duo Maquete, que concretiza este leilão, refere um valor base (avaliação) de 1.747.400 euros, mas o valor mínimo de venda é 1 milhão de 145 mil euros. Quem dá mais?
Nota Histórico-Artística
Desconhece-se a data exacta em que a Quinta da Granja foi fundada, sabendo-se apenas que no início do século XVI esta propriedade rural já existia, tendo sido doada à Ordem de Cristo em 1531. Entre esta data e o ano de 1543 o prior do Convento de Cristo, Frei António de Lisboa, aumentou a área da quinta, mandando construir no local um "assento de casas com oratório" que passaram a servir de casa de repouso aos freires de Tomar (ROSA, 1971, pp. 241-242).
Estas casas quinhentistas foram reformadas no primeiro quartel do século XVII, durante o priorado de Frei António Moniz. A campanha de obras, realizada entre 1617 e 1626, englobou a reconstrução do edifício principal aproveitando a estrutura primitiva, e desta forma aquele passou a ter dois corpos distintos, que formam uma planta rectangular.
O edifício apresenta a fachada principal dividida em dois registos, o superior rasgado por várias fenestrações de moldura rectangular dispostas a espaços regulares. As fachadas laterais são marcadas pela disposição de contrafortes com remates piramidais.
A fachada lateral esquerda tem no andar superior uma loggia de arcadas duplas, ao centro da qual foi aberta uma janela de modelo serliano. O conjunto é rematado por outra janela, ladeada por volutas. A antiga capela da casa dispõe-se junto à fachada posterior, sendo a nave decorada com painéis de azulejos seiscentistas (SALEMA, 1989).
Embora fosse uma residência monacal, a Casa da Granja tinha fortes características rurais, pelo que o piso térreo estava originalmente reservado às dependências agrícolas. No andar nobre dispõem-se as divisões residenciais, com um largo corredor virado para a fachada principal, para o qual se abrem as antigas celas dos freires.
Nestas divisões destaca-se o programa decorativo, composto por vários painéis de azulejos, cuja execução se poderá datar entre 1619 e 1626 (SIMÕES, 1971, p. 168), estando algumas salas decoradas com azulejos de caixilho azuis e brancos, e outras divisões com azulejos ponta de diamante . A escadaria que permite o acesso ao andar nobre possui, igualmente, um rodapé com azulejos de caixilho, e na Casa da Granja existe ainda um curioso fogão "azulejado" (SALEMA, 1989, p. 95).
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 20 de Julho de 2006
In www.igespar.pt

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