quarta-feira, 7 de junho de 2017

Jovem tomarense salvo “in extremis” no hospital de Tomar

Francisco Ramos, de 27 anos, não se cansa de elogiar os médicos do hospital de Tomar que considera terem-lhe salvo a vida. O jovem tomarense deu entrada no hospital para uma pequena cirurgia, no dia 31 de maio, para remover a vesícula. No dia seguinte viu a sua vida presa por um fio, foi novamente operado de urgência e conseguiu sobreviver. Teve alta do hospital no dia 6 de junho e está em casa a recuperar.

Faz questão de dar a conhecer o seu caso e de agradecer aos médicos que lhe salvaram a vida

"Mãos Abençoadas
Nunca fui de fazer estas coisas, não costumo partilhar os detalhes da minha vida privada, muito menos numa rede social como esta, reservando a privacidade para os amigos mais chegados, mas, se hoje estou vivo e a poder escrever a duas pessoas o devo, e sempre me considerei uma pessoa agradecida, e agradeço. Aprendi muito nos últimos tempos, e em especial que não devemos julgar as pessoas pelo que dizem delas, pelo que ouvimos dizer, pela opinião alheia...
Fui eletivamente internado no Hospital de Tomar durante a passada semana a fim de realizar uma cirurgia considerada das mais simples e seguras que podem existir, sem grandes complicações, com elevadas taxas de sucesso, com cicatrizes praticamente invisíveis ou indiferentes para quem as olha… E rapidamente percebi que as coisas nem sempre são como esperamos, nem sempre correm como planeado e podem ter complicações severas, consequências desastrosas nas nossas vidas física e emocional. No dia seguinte à cirurgia, e logo pela manhã, quando despertei com uma palidez mórbida, em que a cor das mucosas não se distinguia da restante pele, com batimentos cardíacos na casa dos 180bpm, pressões sanguíneas de 60/40 (Sistólica/Diastólica), a vomitar vigorosamente, coisa que tinha feito toda a noite, o médico que assistia a unidade nesse dia informou-me que por não haver na unidade de Tomar procedimento de diagnóstico Ecográfico de urgência teria de ser transferido para Abrantes, onde soube mais tarde que nunca chegaria a tempo. Valeu-me a pronta intervenção, que considero divina, de duas pessoas fantásticas que se encontravam a entrar ao serviço àquela hora: O Dr. Francisco Santos e o Dr. Armando Correia, duas santas almas que pegaram no meu caso e não desistiram dele, e, no meu entender, quebrando algum protocolo em prol da preservação da vida Humana me encaminharam de emergência ao Bloco Operatório onde fui submetido a uma segunda cirurgia, desta vez uma cirurgia “aberta” e exploratória, de modo a averiguar onde se originaria o problema. Algumas horas depois acordei, com vários tubos e fios ligados a mim, mas vivo. Tinha sofrido uma forte Hemorragia interna com anemia aguda, e nessa segunda cirurgia o Dr. Francisco, meu salvador, retirou de dentro do meu abdómen 3500ml (!) de sangue perdido.
Alguns dias depois, com três transfusões de sangue e três de plasma, três dias passados em cuidados pós-cirúrgicos e com anemia, encontro-me a recuperar, com uma grande “marca de guerra” no meu abdómen, e ainda combalido, começo agora a minha recuperação.
Desta em curso, venho desta forma agradecer de uma forma especial ao Dr. Francisco Santos que me salvou, ao Dr. Armando Correia que fez um rápido diagnóstico e o assistiu, e como crente que sou, desejo que o Senhor os continue a iluminar nos seus trabalhos, nas suas perseveranças da vida humana, para que continuem a salvar vidas da mesma forma que fizeram com a minha.
Agradeço ainda também à unidade de cuidados pós-cirúrgicos, pela atenção e paciência que tiveram para comigo no meu leito de morte, ainda pela sua simpatia, e aos restantes pela falta dela.
Agradeço também a todos os funcionários da Cirurgia I da unidade de Tomar, em especial à enfermeira Filipa e Auxiliar Lurdes, que não me abandonaram na noite em que quase pereci, e a todos pela paciência que tiveram para aturar este chato doente que sou.
Alguns dias depois, com três transfusões de sangue e três de plasma, três dias passados em cuidados pós-cirúrgicos e com anemia, encontro-me a recuperar, com uma grande “marca de guerra” no meu abdómen, e ainda combalido, começo agora a minha recuperação."

11 comentários:

  1. Ainda bem que está salvo e o seu testemunho é sinal de quanto ama a vida e o quanto está agradecido aos que o trataram com toda a sabedoria e profissionalismo e para mim também é grato poder enaltecer tamanha competência e dedicação.Boas melhoras

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  2. Ainda bem que está salvo e o seu testemunho é sinal de quanto ama a vida e o quanto está agradecido aos que o trataram com toda a sabedoria e profissionalismo e para mim também é grato poder enaltecer tamanha competência e dedicação.Boas melhoras

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  3. Como concidadão anónimo, folgo pela sua salvação e boa sorte, esperando que tenha uma rápida e bem sucedida recuperação.

    Felicito-o ainda pelo facto de a sua formação académica e profissional em técnico de cozinha e pastelaria lhe permitir um domínio tão sólido e abrangente da língua portuguesa, inclusive de vocabulário um pouco mais específico do contexto médico-cirúrgico, como por exemplo, os "batimentos cardíacos na casa dos 180bpm, pressões sanguíneas de 60/40 (Sistólica/Diastólica)" e a cirurgia "exploratória", ou seja, termos pouco utilizados pelo cidadão comum alheio a estes meandros de saúde, principalmente tão jovem, como é o seu caso. Parabéns!
    E grande Escola Profissional de Tomar que proporciona aos seus alunos uma competência linguística com tanta erudição!

    Finalmente, não posso deixar de lamentar que alguns dos profissionais de saúde que mencionou tenham ainda de percorrer um longo caminho salvando vidas desse modo profissional e abnegado, até conseguirem redimir-se dos muitos pecados profissionais que cometeram no passado, neglicenciando inequivocamente cuidados que eram devidos a outros concidadãos que não tiveram a sua sorte.
    Quem sabe se terá sido esse seu passado negro a pesar-lhes na consciência que determinou a sua felicidade? Regozije-se! E oxalá perdure.

    Continuação de excelente recuperação!

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    1. O seu talvez seja o melhor texto. Não conheço nem nunca ouvi falar dos médicos em questão, mas como seres humanos erraram e continuarão a errar provavelmente.Tenho um caso na família bem grave de negligência médica e só nos restou ficar calados.

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    2. Respondi a este comentário e lamento não ter sido publicado.Os meus comentários seja sobre diversidade de assuntos são sempre feitos com respeito por todos daí a minha admiração de não ver publicada a minha opinião

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  4. Obrigada por ter partilhado a sua experiência. As situações boas devem ser partilhadas e não apenas as màs.

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  5. Resumo a tirar desta história, mas vale ser operado em abrantes porque Tomar não tem meios de diagnóstico caso a coisa corra mal.. melhor do que ser salvo in extremis e não ter que precisar de ser salvo mesmo.

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  6. essa primeira cirurgia deve ter sido feita (penso eu) com os tais furinhos que de há uns tempos para cá passou a ser usual nas cirurgias, não é o primeiro caso, e infelizmente não será o ultimo, essas hemorragias são resultado dessas intervenções, que são feitas atravez de um ecram de televisão, mesmo com muito cuidado é fácil haver descuidos desses, espero que tudo corra bem para esse rapaz, que é ainda um menino.

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  7. E causas... e responsabilidades da primeira cirurgia q quase o levou à morte?!? Ninguém fala?? Lol...

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    1. E ler que ele passou a noite a "vomitar vigorosamente" lol qd somos operados não devemos fazer esforços e ao vomitar pode rebentar pontos e afins, talvez daí a hemorragia. Se devia ter ficado internado em vigilância? Se calhar devia.... Ou não.... Causas e responsabilidade têm que ser dadas ao utente.... Devemos aprender a criticar na hora certa (que só fazemos por 2 razões, por tudo e por nada) e louvar também na hora certa (coisa que nunca fazemos) e para terminar "lol"

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    2. Se passei a noite a vomitar é porque claramente algo não estava bem! Não foram rebentados pontos alguns até porque internamente o sangue é estancado com um cauterizador eléctrico! E devia ter lido melhor porque sim eu estava internado e quando estava a vomitar tinha de o fazer para dentro de sacos pois já não me conseguia por em pé devido à falta de sangue. Optei por não criticar a parte má até porque sempre ouvi dizer que há mais marés que marinheiros, e louvei sim na hora certa, tal como continuarei a louvar. Existem maus profissionais mas também existem bons, e a maioria das pessoas só sabe reclamar quando as coisas estão mal, mas nunca elogiar quando estão bem. Felizmente não sou assim!

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