domingo, 23 de fevereiro de 2014

"Os ucranianos lutam contra a corrupção"

Lhuda nasceu em Zolotonosha, perto da capital Kiev
Lhuda Sobko, chegou a Tomar há quase 10 anos. Agora longe da Ucrânia, a auxiliar de cabeleira, de 23 anos, conta que tem vivido estes dias com muita tristeza por causa dos confrontos violentos que têm assombrado a sua terra natal.

Apesar da longa distância entre Portugal e Ucrânia, Lhuda tem acompanhado diariamente os acontecimentos do seu país. "Chego a casa e a primeira coisa que faço é ver a página de facebook EuroMaydan", explica a jovem ucraniana que diz não ter confiança nas notícias das grandes cadeias de televisão. Lhuda diz que a informação que lhe chega através das redes sociais "falam de coisas verdadeiras" ao contrário dos canais russos que "trocam tudo".

Lhuda tem muitos familiares que vivem na Ucrânia, e sente-se preocupada com o seu irmão que vive na capital, que tem sido palco de grandes manifestações. Felizmente Lhuda tem conseguido falar com o seu irmão todos os dias pelo Skype, mas conta que "ele já não vai trabalhar desde dia 18", por causa dos protestos.

Protestos na Praça da Independência, Kiev. Foto: Serguei Supinksky /AFP
"As pessoas querem que o presidente saia", contou Lhuda algumas horas antes da fuga do presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovytch, e da libertação da antiga primeira ministra, Iulia Timochenko. Lhuda afirma que o presidente destituído "não conseguia decidir nada sozinho" e era muito controlado pela Rússia. A jovem ucraniana conta também que existe muita corrupção no seu país, e deu o exemplo da grande mansão onde o presidente vivia "onde está o dinheiro roubado do povo ucraniano".

A última vez que Lhuda esteve na Ucrânia foi em 2007, e tinha planos para voltar lá novamente este ano. A jovem ucraniana confessa ter muitas saudades da Ucrânia, mas reconhece que a sua vida já está estabilizada em Tomar. Contudo, agora deseja que esta situação se resolva pacificamente e que depois a "Ucrânia possa entrar na União Europeia".

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